Abastecimento do mercado de vinhos no Brasil tem crescimento de 3% no 1o. semestre

O abastecimento do mercado de vinhos no Brasil registrou um crescimento de 3% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2016. Foram cerca de quatro milhões de litros a mais, entre os produtos estocados e os que estão disponíveis nas prateleiras, nos primeiros seis meses. Os dados foram apurados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e levam em conta as operações envolvendo os vinhos nacionais e a importação de rótulos estrangeiros. De janeiro a junho foram 142.384.337 litros, enquanto que nos primeiros seis meses de 2016 ocorreu a comercialização de 138.256.246 litros pelas vinícolas brasileiras e importadores.

Mesmo com a liderança do vinho brasileiro no mercado interno, que detém cerca de 65% de participação – incluídos os vinhos de mesa, finos e espumantes –, o maior crescimento ocorreu nas importações de vinhos. Houve um aumento de quase 40% na entrada de produtos estrangeiros no país, enquanto que o desempenho do vinho nacional teve um recuo de aproximadamente 10%.

O diretor de Relações Institucionais do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani, pondera que a alta nas importações pode ter ocorrido em função de aumentos das Margens de Valor Agregado (MVA), utilizadas no cálculo do Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS), previstos neste primeiro semestre para alguns estados. “De algum modo isso pode ter ocasionado um movimento de antecipação de importações com o objetivo de reduzir o impacto do aumento da carga impositiva”, observa o dirigente. Para Paviani, o baixo desempenho dos vinhos brasileiros no primeiro semestre é resultante, ainda, da queda de produção no ano passado, quando ocorreu uma quebra de safra de 57%. “Para o segundo semestre, quando um volume maior de vinhos produzidos nesta safra entrarem no mercado, a tendência é termos um desempenho melhor do que o primeiro”, completa.

Já Scottá lembra que a entrada em vigor do Simples Nacional para as micro e pequenas vinícolas a partir de 2018 deverá refletir em melhores resultados em médio prazo. “Permitirá a formalização de mais empresas, facilitará essa venda direta e pode dar um fôlego extra às vinícolas de pequeno porte”, acredita. Contudo, o presidente afirma que é necessário insistir na pauta de redução de tributos para que o vinho nacional se torne mais competitivo e recupere espaço em gôndola, na visibilidade e retome índices positivos de vendas. Atualmente, os encargos tributários podem ultrapassar metade do preço final de uma garrafa de vinho.

Oscar Ló, vice-presidente do Ibravin, prevê uma recuperação na venda de espumantes no segundo semestre, na esteira das festas de final ano. Com relação aos vinhos tranquilos, Ló projeta um período que deverá ser de melhores resultados para o produto nacional. “Isso porque o mercado estava abastecido com vinho importado em função da quebra de safra que limitou a oferta de vinho brasileiro. A tendência, agora, é que esses estoques se normalizem, os preços se estabilizem e voltemos a ocupar a fatia de mercado que vínhamos ocupando até 2016”, explica.

A perspectiva dos dirigentes de melhores resultados no segundo semestre é corroborada pela série histórica dos últimos cinco anos. Com exceção do ano de 2016, quando houve quebra de safra, as vendas no segundo semestre foram 30% superiores, em média, em comparação com os primeiros seis meses de 2012 a 2015.

Confira o desempenho de vendas no 1º semestre deste ano

Vinhos brasileiros (mesa e vinífera): 88 milhões de litros, de janeiro a junho, o que representa queda de 9,6% em relação ao mesmo período de 2016, quando foram comercializados 97,4 milhões de litros.
Espumantes brasileiros: 3,9 milhões de litros vendidos, queda de 13,4% na comparação com o primeiro semestre de 2016, quando foram comercializados 4,5 milhões de litros.
Sucos de uva prontos para o consumo: 44,8 milhões de litros, queda de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior
Total global (todos os produtos vitivinícolas brasileiros): venda de 156,9 milhões de litros, queda 8,6% em relação ao primeiro semestre de 2016.
Importação de vinhos: 48,4 milhões de litros, aumento de 37,9% em relação a 2016.
Importação de espumantes: 1,93 milhões de litros, crescimento de 79,58%.
Exportação de vinhos: 1 milhão de litros, alta de 37,7% frente ao ano anterior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *